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Moçambique: Mais um bolseiro do PROCULTURA conclui o Mestrado em Música

Trata-se de Orlando Fernão, 32 anos de idade, que concluiu o Mestrado em Etnomusicologia e Estudos em Música Popular, na Universidade de Aveiro.

Antes de ir estudar para Portugal trabalhava na Universidade Eduardo Mondlane, na Direção de Recursos Humanos, e como professor e diretor pedagógico voluntário, na “Levi – Escola de Construção de Capacidade Musical”, da qual foi cofundador. A escola, que começou com o objetivo de fundar a orquestra e bandas da igreja local, cresceu e é hoje aberta ao público, funcionando como uma escola comunitária, gratuita.

Em 2011, inscreveu-se no curso de licenciatura em música, e em 2019 candidatou-se ao curso de mestrado. “Queria com a formação em música alastrar as minhas possibilidades de desenvolvimento do trabalho comunitário em música iniciado na Levi”.

Orlando espera que a formação ajude a legitimá-lo junto de instituições públicas e privadas, em especial do Governo da Matola e da Província de Maputo, de forma a levar o ensino da música às crianças sem recursos. “A Levi acolhe e fornece instrumentos musicais como violinos, saxofones, e outros, a crianças que nem sequer podiam pensar na possibilidade de estudar música, muito menos a clássica ocidental. Com a formação, pretendo dar seguimento a este projeto junto com estes Governos”, sublinhou.

A sua tese teve como título “Memórias de Moçambique em Berlim: Um Estudo para a Repatriação de Registos Sonoros”. Ficou a saber da gravação de canções e músicas em Moçambique, realizadas por antropólogos alemães em 1931 e, sabendo da possibilidade de repatriação, dedicou-se a iniciar o processo. Para Orlando, esta repatriação pode ser útil para a recuperação de práticas já esquecidas com o tempo, assim como para a melhoria das práticas em vigor atualmente.

Orlando quer continuar a pesquisa na área de arquivos e fazer um doutoramento, como forma de dar continuidade ao seu estudo.

“Estudar em Portugal foi uma oportunidade única. Sem este apoio (do PROCULTURA) não teria sido possível esta formação”, sublinhou.

Aos seus pares (outros bolseiros) aconselha a serem focados: “Saibam o que querem e onde querem chegar”. Diz-lhes que conheçam as dificuldades e dediquem-se a eliminá-las. “Tudo o que é bom e agradável e ainda perfeito, demora, leva o seu tempo. É preciso ser focado e persistente e não se distrair”, concluiu.

Saiba mais aqui: https://bit.ly/3DgjpVF

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